quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Mudar de Casa

Pela sexta vez em 7 ou 8 anos, que estou a mudar de casa, de cidade, de mim. Isto é violento, brutal e cansativo. Fico exausta e perco-me de mim.
No meio destes meus caixotes que me acompanham, trago bocados da minha vida e daquilo que sou. Isto não é normal, ninguém muda de casa como eu. De repente, aquela casa já não me serve, aquela cidade é demasiado pequena, o trabalho precisa de mim noutro ponto do país e lá vou eu, com a bagagem, a vida aos bocados, rumo ao desconhecido.
Depois sobrevem a exaustão porque tudo isto é muito exigente e porque mesmo fisicamente é avassalador.
Quando saio, olho para as casas vazias e já não as reconheço, e nas novas, reconheço os confortos e as oportunidades mas já não me iludo (embora me entusiasme!) com as páginas em branco, no sentido em que serão tudo rosas. Isso não existe mas tudo é vida.
A verdade é que sou nómada e autónoma. Gostava de viver em milhares de cidades ao mesmo tempo. Ser portuguesa e estrangeira, falar muitas linguas e viver muitas vidas em simultâneo. Só uma não me chega. É curta.
Tenho sono mas também tenho os olhos brilhante e torno-me ainda mais bonita porque tenho ainda assim a expectativa dentro de mim....pergunto-me, O que virá a seguir? O que me trará esta casa de banheira gigante e assoalhadas suaves? Quem se cruzará comigo?
De imutável fica só mesmo a mobilia, a familia e os animais (esses desgraçados que me acompanham até ao fim do mundo), tudo o resto é novo.
Sou como uma árvore, por camadas, sempre novas, sempre nova mas sem envelhecer.


Caso não saibam, para o ano vou dar a volta ao mundo e no meio disto tudo, sou estranhamente feliz.

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